sábado, novembro 06, 2004

AGORA É A MEC DE SAIAS...REBELO PINTO É A CEREJA NO BLITZ

O semanário Blitz está à beira de incorporar, no ano de seu vigésimo aniversário, a espinha dorsal da cultura portuguesa.
Depois das crónicas semanais de Miguel Esteves Cardoso, Lobo Antunes e Luís Guerra, chega agora a vez de Margarida Rebelo Pinto dar o seu contributo àquele jornal. Aquela que se auto-intitula, para sua auto-promoção e suicídio deste, “o MEC de saias”, veio responder, segundo o director do jornal, a uma necessidade premente: “Sentíamos falta de alguma coisa nesta tertúlia, não sabíamos bem o quê, até pensávamos que era de um ar-condicionado ou de uma tostadeira. Foi então que alguém se lembrou: faltava uma mulher para servir os cafés e ir aos concertos mais pedantes”. A partir daí, diz Pedro Gonçalves, “a escolha foi óbvia”.
O IM dá-vos em exclusivo um resumo da sua primeira crónica, a ser publicada já esta terça-feira no Blitz.


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Dia 5 de Novembro
Ando a adorar esta cidade. O Pedro fez um trabalho extraordinário com isto. Confundo sempre os Pedros do meu telemóvel. Quando no meu Nokia vi o nome “Pedro” piscar pensei que podia ser qualquer pessoa. Gosto muito deste Pedro que então me ligava, tem feito um trabalho extraordinário com o seu jornal. Por isso quando ele me convidou para escrever umas coisas senti-me honrada.
Vinha a contar tudo isto ao Manel enquanto ele conduzia a alta velocidade o seu novo Mazda. Era um bom prenúncio de noite, quando uma mulher se sente amada por um tipo cheio dele que nos conduz pela cidade.
Assim que me viu, o porteiro do Lux disse-me:
- Ai, Margarida, você está lindíssima hoje
- Não diga isso, são os seus olhos azuis – respondi, passando a mão pelo peito do Manel, que entretanto mordia o lábio de ciúme.
A noite de sexta Número Festival começou muito bem, com os Bulllet de Armando Teixeira. O Armando estava engraçadíssimo com uma camisa em tons de cinzento e o cabelo todo ele aparado. A música imparával, até disse ao Manel que me fazia lembrar Massive Attack.
A seguir a Juana Molina deu um concerto muito engraçado, sozinha com uma viola e uma pianola. Linda e magra com os cabelos sobre o ombros, ainda dei por mim muitas vezes a pensar se o Manel não estaria a tirar-lhe a roupa com os olhos. Havia muito de Massive Attack na sua música.
O último concerto a que assistimos nessa noite foi o de Dani Siciliano. O ambiente estava muito bom com imagens e tal nas paredes. Pude apreciar o concerto todo com um malibu na mão e a mão do Manel na outra. A Dani estava com um top giríssimo e apresentou-nos uma sonoridade muito próxima dos Massive Attack, bem como os Pan Sonic, que já só os ouvi cá fora, através da janela do Mazda.
Os sítios têm que merecer que a nossa vida passe por lá e os homens de ter dentes para aguentar o nosso andamento. Em suma, uma grande organização e uma grande noite, pensei isso pela noite dentro enquanto o Manel me chamava “Puta!” e se preparava para fazer um Massive Attack ao meu corpo.
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