quarta-feira, novembro 10, 2004

MARGARIDA REBELO PINTO ENTREVISTA GOMO NO BLITZ

Ouvi o Gomo pela primeira vez no Bairro Alto. Tinha ido lá jantar, estava a beber um copo e depois ia para o Lux com o Salvador. Nunca mais falei com o Salvador, ele era giríssimo*. Ouvi "Feeling Alive". Fez-me lembrar um bocado a música da minha infância, quando eu andava no Colégio Bom Sucesso, em Lisboa.
O Pedro, do Blitz, enviou-me a cópia promocional. Gostei muito de Best of. O trocadilho do nome é muito giro. E o Gomo nem é muito feio, para um tipo das Caldas da Rainha. Sempre que passava férias na Foz do Arelho ia às Caldas fazer compras. É um bocado terceiro-mundista, mas lá safava uns vestidos para usar.
Decidi entrevistá-lo. Um homem giríssimo, assim, que fazia música tão bonita, tinha de ser meu. E, por umas horas, antes e depois da entrevista, foi.

Combinámos às 10 da noite na Bica do Sapato. Não passava de um jantar informal, mas eu levei o vestido Gucci que tinha comprado na Primavera em Paris. Com a minha mala Louis Vitton, eu estava perfeita. Ele não. Para alguém que vende tantos discos, não se trata muito bem. Tinha um casaco vermelho Adidas e uns ténis também Adidas. As calças eram Levi's, da nova colecção. Mas aquele cabelo...foi a primeira coisa durante a noite que me fez pensar que ele era um pouco demasiado alternativo para mim. Sentámos, pedimos um prato caríssimo, mas chiquérrimo. Foi bem servido, e acho até que vimos o John Malkovich. Está cada vez mais careca e não sei se gostei da camisa que vestia. Comecei a falar com o Paulo Gouveia, a que erradamente chamo Gomo. Mas não consigo evitar. Ele é giríssimo.

Querido, o que é que o faz ser quem é e fazer música assim tão super-gira?
Antes de mais, Guida, deixe-me congratulá-la por esse vestido tão belo. É Gucci?

É.
Já posso deixar de falar com palavras caras?

Se tiver mesmo de ser, querido...
Pá, é aquela cena do um gajo cresce a ouvir aquelas cenas mesmo bué de alternativas e tal, tipo My Bloody Valentine e o caraças, e quer fazer uma banda e crescer e ganhar dinheiro com a música. Mas a minha música é um bocado mais alternativa. Não é como outras bandas assim tipo os Fingertips ou outras quaisquer, porque eu faço a minha cena e aquelas cenas que me influenciam.

Chateiam-lhe as comparações com aquele norte-americano giríssimo, o Beck? Acha que ele é gay?
Não, pá. Eu quando me meti nesta merda já sabia que me iam comparar ao gajo. O gajo vende discos, eu quis logo ser como ele. Mas não tinha um avô que andou metido na Fluxus e o caraças. E era de Portugal, não da Califórnia. Mas acho que ele é demasiado mainstream para mim, a minha cena é mais alternativa.

Pedro... [nunca atino com os nomes, estou sempre a pensar no Pedro, ele é giríssimo e tem aquele corpito de nadador...não consigo deixar de pensar nele]
Paulo, pá, o meu nome é Paulo.

Paulo, acho que já chegámos a um ponto em que temos uma ligação tão forte que já podemos tratar-nos por "tu". O que achas?
Pá, é na boa, caralho. Na boa, minha. Posso chamar-te Guida?

Não, Paulo. Só Guidinha.
Está bem, minha.

Como foi trabalhar com o Mário Barreiros? Eu acho-o giríssimo e super-interessante.
Eu não, o gajo até é um bocado feio. Foi fixe porque foi a editora que pagou tudo e agora começo a receber o dinheiro todo, mas a minha cena é mais alternativa.

A tua música tem um certo "je ne sais quoi", um certo quê de personalidade. Farias música diferente se vivesses numas águas-furtadas no Chiado?
Talvez, mas a minha cena é um bocado mais assim...como é que se diz, porra? Alternativa...

Ouvi dizer que a Sheryl Crow gostou do teu projecto. A Sheryl Crow não é muito alternativa...houve alguma confusão na tua cabeça?
Como já disse, a minha cena é mais alternativa, mas se houver assim gente a elogiar-me e o caraças, é óbvio que vou gostar. Especialmente se tiverem ligações a editoras e me derem dinheiro.

Gostaste do que fizemos antes da entrevista?
Não és assim tão boa. Como já disse, a minha cena é um bocado mais assim alternativa, 'tás a ver, pá?

Dei-lhe um estalo. Ele estava a comportar-se tão mal. Mas se soubessem como se comportou depois da entrevista...bom, é melhor nem entrar em mais pormenores. Porque Gomo é um homem com uma identidade muito própria, muito marcada. É um pouco alternativo de mais para o meu gosto, mas há coisas na vida que vale a pena experimentar, nem que seja por uma só vez. Neste caso, foram duas. E se contarmos com o que foi interrompido no carro por aqueles agentes da Judiciária...o Agente Ramos está um pouco mais gordo. E devia fazer aquele bigode. O filho dele é giríssimo. E riquíssimo. Vou combinar um encontro com ele.

* Salvador, se estiveres a ler isto telefona para a redacção do IM a pedir o meu número novo.