terça-feira, dezembro 14, 2004

TOY EM NOVA IORQUE - DIÁRIO EXCLUSIVO

Hoje, num certo pasquim semanal do nosso país, os X-Wife tiveram destaque por terem andado por terras do Tio Sam, mas propriamente por Nova Iorque. Mas achamos que é de um extremo mau gosto só publicitar novas bandas, que nada inovam e se limitam a repetir cânones antigos, em detrimento de grandes artistas com vários anos de carreira. Por exemplo, o IM está em condições de revelar que um grande artista do nosso país esteve por Nova Iorque há bem pouco tempo e foi muito mais bem sucedido. Tudo se passou no princípio do corrente mês. António Ferrão, natural de Setúbal, é um músico extremamente bem sucedido no nosso país. E agora tentou a sua sorte além-fronteiras.
O IM publica, em rigoroso exclusivo nacional, o diário de Toy em Nova Iorque:

QUINTA, 2 DE DEZEMBRO DE 2004

11:00 - Saída do Aeródromo de Setúbal. O avião atrasou-se. Aproveitei para enviar um SMS ao Tony Carreira: "VO A NI I TU SO FST A FRCA.ROIT DINVJA,PASPLHO!"
18:00 - Chegada a NY. Passeio na Broadway. Distribuo cópias do meu novo disco, É só sexo a fãs que ainda não me conheciam. Já está à venda em milhares de lojas online. Vende muitas cópias e tem tido muito boas críticas. Sou o novo Richard Marx, dizem-me.
19:00 - Chegada ao hotel. Elton John, Pavarotti, Barry Manilow, ABBA, todos os meus ídolos passaram por aqui. Até porque fica a caminho dos melhores hotéis da cidade.
21:00 - Vou a Chinatown. Ah, como eu compreendo os imigrantes! Mantêm a sua cultura e é muito bom. Porque o meu objectivo sempre foi imprimir o bom gosto na música popular. Quando fazia arranjos para o Marco Paulo era nisso que pensava.
22:00 - Deito-me. Amanhã é dia de concerto no Max's Kansas City. Adormeço ao som dos Bee Gees. Faço a música de que gosto e música de qualidade. Já tenho saudades dos programas da manhã e da tarde.

SEXTA, 3 DE DEZEMBRO

10:00 - Acordei. Telefonei ao José Figueiras. "Tenho saudades tuas. Amanhã temos o Tony Carreira no 'Às Duas Por Três'", teve ele o descaramento de dizer. Desliguei-lhe o telefone na cara, chateado. Para aturar merdas destas tinha ficado em Setúbal. Desliguei-lhe o telefone na cara. Ao meio-dia tenho uma reunião com o Tim Goldsworthy da DFA para ele me fazer uns remixes.
12:00 - A reunião foi adiada. No edifício da DFA encontrei os Black Dice. Convidei-os para fazerem as minhas primeiras partes. Vou tirar o resto do dia para perseguir a Barba Streisand. Ela canta muito bem e contaram-me que ela estava na cidade.
00:00 - O concerto foi brutal. Toquei com uma banda de black metal norueguês. Foda-se, eu sou mesmo jovem. Isto é para mostrar àquelas pessoas que têm preconceitos quanto à minha música que eu também gosto da música que eles ouvem. Vão lá a casa e podem ver discos dos Limp Bizkit e dos Korn. Porque eu também gosto. Também gosto. Sou mesmo jovem. Vendi 100 cópias do disco. Está esgotado no Amazon.com.

SÁBADO, 4 DE DEZEMBRO

11:00 - Sou mesmo famoso. Já comprei uns óculos de sol para não me reconhecerem. Hoje toco no CBGBs.
00:00 - Adoraram-me. Sou mesmo da vanguarda. Há cada mais gente nos concertos. Roam-se de inveja, X-Wife.

DOMINGO, 5 DE DEZEMBRO

12:00 - Volto para Setúbal amanhã. Já tenho saudades do cheiro. Apanhei o Tim, finalmente. Ele disse gostava do meu disco, mas que não ia poder fazer um remix nem ver-me ao vivo. Ou isso ou mandou-me à merda por ser um chato. Não sei, nunca aprendi a falar inglês. Hoje toco no Garage, os bilhetes esgotaram em segundos.
01:00 - Fiz 5 encores. O mosh foi fodido. Sou uma estrela do rock. Sou a nova Carmen Miranda.

SEGUNDA, 6 DE DEZEMBRO

10:00 - Apanho o primeiro voo para Setúbal.
17:00 - Chego a Setúbal. Abraço a minha família e tranco-me no quarto a falar ao telefone com o José Figueiras.