quarta-feira, fevereiro 23, 2005

JACK JOHNSON ESGOTA COLISEU

Jack Johnson, o trovador cujo concerto em Portugal foi anunciado há bem pouco tempo, esgotou o Coliseu dos Recreios em Lisboa. Num estudo inédito em Portugal, o IM e uma empresa de sondagens que até já viu o Paulo Portas trabalhar pegaram nos dados fornecidos pela promotora Música no Coração e analisaram as faixas etárias e os tipos de pessoa que compraram bilhetes para assistir ao concerto do músico surfista.
Começamos com um poema, da autoria de um dos repórteres do IM, sobre o trovador:

Do Havai vieste,
Ao Havai voltarás
És lindo, filho
Não és Satanás

Da linha ao Restelo
Encantas grelo


Faixas etárias que vão ao concerto

Este gráfico representa as faixas etárias que compraram bilhetes para ver Jack Johnson. Como podemos ver, gente muito jovem aprecia a música superior e de alta qualidade do cantor/compositor havaiano. A idade que vai dos 10 aos 14 anos é uma idade encantadora. As meninas, os meninos, todos no recreio a brincar. É fácil ver como se identificam com as canções de Jack Johnson. Dos 14 ao 18 é o liceu, as paixões, as festas e muito basicamente a descoberta do álcool. É bué da fixe ir beber imperiais ao pé da praia enquanto se ouve Jack Johnson antes de se ir fazer surf, porque é bué de lindo. O mais curioso neste gráfico é a quantidade de gente maior de 20 anos que vai ver o homem. Jovens universitários gostam do homem, e ninguém percebe porquê. Continuam a levar a prancha e as namoradas menores para a praia, e a vida é boa assim. Dos 25 anos aos 30 anos há pouca gente, mas devia haver mais. Ele precisa de mais público. Gente mais velha só mesmo acompanhando os filhos, e só Jack Johnson possibilitaria uma viagem Cascais-Lisboa. Há também um número incerto de trintonas e quarentonas divorciadas de Cascais que adoram seguir aqueles tipos lindos de cabelo descolorado ou alourado a sério para ver se lhes dão atenção.

Tipos de pessoas

O tipo de público que este homem atrai é constituído por gente muito diferente. Se por um lado temos o típico jovem apoiante da Juventude Popular, por outro também podemos ter o típico frique do Bloco de Esquerda. De um lado temos camisas da GAP, do outro camisas também da GAP, mas disfarçadas. O típico frique do BE acampa duas noites antes na Rua das Portas de Santo Antão para não perder pitada do concerto. As duas áreas de residência principais dos fãs de Jack Johnson são Cascais e o Restelo. Uma fora de Lisboa, outra dentro. Mas há sempre um saudável intercâmbio entre as duas áreas. Alguns deste até são amigos de filhos de políticos. Os Surfistas são uma parte importante do público. Atraem tias e raparigas menores. Temos também gente que se desloca propositadamente do Porto, mais propriamente da Foz, para ver o trovador. Há um mínimo de gente que já ouviu discos e leu livros e vai ver Jack Johnson. Entre tipos que confundiram o nome de Jack Johnson com o de Joe Jackson e tipos que supostamente deviam saber que não, mas não sabem.

O concerto de Jack Johnson vai ser um acontecimento. Esgotando o Coliseu prova ser o artista mais importante dos últimos anos, em todo o mundo. Dá uma sova a bandas que dizem ter sido influentes, como os Sonic Youth, que, apesar de terem composto a sala, não a conseguiram esgotar. É de notar que este estudo não foca os convites e as sanguessugas que não pagam, só mesmo os bilhetes vendidos.