sábado, maio 21, 2005

EDITORIAL

Jack Johnson actua hoje à noite no Coliseu de Lisboa. Pitas, vintonas, trintonas, gajos à espera de engate e toda a população do concelho de Cascais farão parte do público. Devemos parar para pensar. Parar para reflectir. Que país é este? Um homem vem do Havai com uma guitarra e sendo a bitch do Ben Harper e esgota um Coliseu. Outrora arena de luta entre escravos e animais selvagens, este Coliseu será palco para o tipo mais irritante dos últimos tempos.
Quantas relações pouco duradouras começarão e acabarão no espaço de uma hora, duas horas, duas horas e meia que durará o concerto? Ninguém sabe ao certo. O que é certo é que acontecerá muita coisa durante esse tempo. Desde os tipos com piercings na orelha a cantar cada "La la la", cada vez que se diz "life", em frases como "No one told me life was hard" ou coisas parecidas até às quarentonas e cinquentonas que vão com as filhas adolescentes, muita coisa acontecerá. Vai ser a grande noite. Vai ser o primeiro contacto de muita gente com a música ao vivo. As crianças vão sair de Cascais, vão para a grande cidade, a grande Lisboa.
A praia sobe ao palco do Coliseu hoje à noite. Donavon Frankenqualquercoisa também estará lá, a fazer a primeira parte ou lá o que é. Para quem não conhece, Donovan Frankenqualquercoisa é Jack Johnson menos giro, com um nome impronunciável e a lançar discos com capas à Nick Drake que enganam gente. Que raio de país é este, malta, que raio de país é este?