sexta-feira, maio 13, 2005

ENTREVISTA COM TRENT REZNOR (NINE INCH NAILS)

Como muita gente diz, With Teeth, o novo álbum dos Nine Inch Nails, é um grande disco. Supostamente, uma entrevista não é uma crítica, logo não deve conter a opinião de quem a escreve. Mas não desesperem, meus amigos, eu odeio os Nine Inch Nails com veemência. Ou seja, a opinião expressa nesta introdução estúpida não é minha. Sem mais demoras, fomos encontrar Trent Reznor num cemitério: (nota do entrevistador: leia-se "na creche de um dos putos dele, que o tipo é casado, tem três fedelhos e guia um monovolume prateado"):

O Inimigo Musical- Então, meu? Como é que vai isso, pá?
Trent Reznor- Tudo bem, vim buscar o fedelho aqui à cena. Isto é caríssimo, paga-se bué, mas não quero que nenhum dos meus putos venha a crescer como eu (nota do entrevistador: leia-se "chato, pretensioso e com um passado negro que inclui a total responsabilidade pelo monstro que é Marilyn Manson"). A minha mulher e eu já passámos tempos melhores, mas, foda-se, é tão bom ser normal. Aqueles discos são todos a gozar, eu não sou assim.

OIM- Coisas fortes, como "I will make you hurt" são a gozar?
TR- Foda-se, não acredito que acreditas nisso. Também acreditas no Pai Natal? Acreditas que gravei um disco na casa do Charles Manson? Meu, deixa de ver TV, pá. Tenho medo dessas cenas, se alguma vez sequer passasse ao lado da casa do Charles Manson começaria a chorar e a gritar pela mamã.

OIM- Deixa ver se percebi, tu tens 40 anos mas ainda tratas a tua mãe por mamã?
TR- Claro, e ainda durmo com o meu ursinho da sorte. Pá, não escrevas isto na entrevista, diz que é um ursinho da morte e não da sorte. Tenho uma reputação a manter. Há putos de 12 anos que ainda acreditam que eu sou bué fodido dos cornos e o caraças. Meu deus, olha para mim, eu até aperto o botão de cima da camisa, meu. Tocar ao vivo, fazer vídeos e tirar fotografias promocionais é a pior coisa para mim. Mas dá-me dinheiro e assim posso pagar a minha mansão em Malibu.

OIM- E então? O que achas do With Teeth?
TR- Aquilo é uma merda. Mas tinha umas dívidas para pagar. Dou-te um conselho, pá, se os teus putos alguma vez pedirem um daqueles castelos insufláveis lá para fora, compra em promoção. Aquelas cenas são bué caras. Tive logo de lançar um disco novo para poder pagar. Os putos são tipo o meu orgulho, meu. Eles e a minha mansão.

OIM- Quer dizer que és um americano típico?
TR- Sim, e com orgulho. Jogo golfe e o caraças. És de Portugal? Fogo, uns amigos meus com quem jogo golfe dizem que há um sítio...o Al...

OIM- Algarve.
TR- Sim, isso, que tem bons campos de golfe. Vou levar a família lá.

OIM- Então és um gajo que curte golfe, hein? Quem diria?
TR- Não sei, os putos que andei a enganar estes anos todos não.

OIM- Como foi ter o Johnny Cash a tocar um tema teu (n. do e.: leia-se "a transformar algo péssimo em algo sublime")?
TR- Fiquei todo fodido, o velho morreu antes de saber que eu não estou a falar a sério. Mas gostei do trabalho do gajo, foi bué escuro sem ser escuro. Adorava ser como ele e assustar ainda mais pessoas.

OIM- Para isso é preciso algo chamado "talento"...
TR- Hum...talvez, nunca tive disso. Mas eu ganho rios e rios de dinheiro, quanto é que ganhas?

OIM- Faço isto de graça.
TR- Hum-hum.

OIM- Pois. Já percebi. Tu és rico e eu não.
TR- Exactamente. Mas, se fores a ver, a cena que eu faço não é nada difícil. É só pegares numa guitarra, num teclado e numa máquina qualquer básica, fazer uns acordes, uma batida, uma melodia manhosa, e dizer que queres morrer. Os putos todos adoram essa merda, meu. E ganhas rios e rios e rios de dinheiro. É sempre assim. Meti-me nisto porque não tinha nada para fazer. Ganhei o meu primeiro milhão a dizer coisas nas quais não acredito.

OIM- Não te sentes uma fraude?
TR- Não, pá. Vê se percebes, há fins que justificam os meios, especialmente se esses fins envolverem dinheiro.

OIM- E o Marilyn Manson?
TR- Não há dinheiro suficiente no mundo para justificar aquilo. Por isso é que eu saí quando percebi o monstro que tinha criado. Sou um bocado como o Frankenstein, só que o gajo ainda é mais rico que eu. Mas é tão ou mais fraudulento que eu. O gajo é vizinho do Sylvester Stallone, joga golfe com o Tom Cruise e estava na agenda da Paris Hilton. É um gajo todo coisinho, já vai no quinto divórcio e joga poker todas as terças-feiras. Eu matava para entrar no country club onde o gajo está, é do caralho.

OIM- Bem, estou farto desta merda. O que é fixe quando estás a inventar entrevistas à meia-noite é que podes parar quando quiseres...obrigado, Trent, és um gajo fixe, apesar de eu odiar a tua música.
TR- Nem considero aquela merda música. Obrigado por teres inventado uma entrevista comigo. Quando for ao Algarve mando-te uma apitadela, OK?

OIM- É melhor não, está bem?
TR- Pronto, e se eu te der dinheiro?

OIM- Não, o Inimigo Musical não está à venda *.
TR- OK. Eu percebo. Há gajos com princípios, eu não sou um deles, mas compreendo. Adeus, foi bom conhecer-te.

* Trent, se estiveres a ler esta merda manda-me um e-mail, ainda quero esse dinheiro.