segunda-feira, maio 30, 2005

MARGARIDA NO SUPER BOCK SUPER ROCK

A convite do meu amigo Luís, fui ao Super Bock Super Rock. A música nunca me diz muito, mas existem alguns rapazes giros nas bandas que lá tocaram. Especialmente aquele miúdo dos Incubus. Será que já fez 20 anos? Alguém me arranja o número dele?
Cheguei no primeiro dia às 7 da noite. O Vasco veio-me buscar no seu descapotável vermelho novo. Foi simpático. Tinha-o conhecido num desfile da Fátima Lopes duas semanas antes.
Nunca fui grande fã do catering que as promotoras de festivais contratam. A área VIP do Super Bock Super Rock tinha alguns rissóis e croquetes bons, mas mais nada. Gostei de alguns dos bifes, também, mas o arroz era muito mau. Em termos de bebidas, eu não sou uma pindérica qualquer. Não bebo cerveja, cerveja é para as classes baixas. Devia haver um Moët et Chandon para mim, especial. Um gin tónico, um Martini...a área está cada vez mais mal frequentada. Vi lá jornalistas, alguns muito mal vestidos. Alguns deles – e custa-me muito sequer pensar nisto – nem tinham roupa de marca. Acho que deviam separar a área VIP da área de imprensa, não quero misturar-me com estes tipos. Mas havia uns bem bonitos, especialmente da imprensa online.
Dá-me ideia que o rapaz dos Bizarra Locomotiva, se fosse mais novo e cortasse o cabelo, seria um bom partido. Os miúdos que vieram a seguir eram muito novos e giros, mas não gostei do barulho que faziam. Aqueles ingleses no palco principal, os Louie, eram muito giros e seguiam as modas bem. São ingleses, rapazes ingleses são sempre muito bonitos. Gostei de vê-los depois na zona VIP, até falei com eles. Ia oferecer-lhes boleia, mas não foi possível. Tinha vindo com o Vasco, que entretanto nem sabia onde estava. Ofereceram-me eles. Combinámos que logo quando acabasse o concerto dos Prodigy íamos juntos para casa na limousine deles. Mas nunca mais os encontrei. Foi um golpe no meu coração. Acabei por encontrar o Vasco outra vez e lá fui eu para as minhas águas-furtadas no Chiado.
No segundo dia já cheguei mais tarde. Tinha-me fartado do Vasco, ele passou lá por casa e mandei-o dar uma curva. É que descobri que a família dele já não tinha dinheiro. Ora isto não podia ser, mesmo que ele fosse muito giro. Mesmo muito, muito giro. E era um rapaz acima de tudo sensual.
Rumei ao Parque das Nações sozinha, como quem procura um amor. Como quem vive sozinha e não tem medo de afirmar-se como mulher forte, independente e segura de si. Sentia-me terrivelmente mal, não estava acompanhada. Tantos e tantos amigos que encontrei na zona VIP me perguntaram pelo acompanhante que era suposto eu ter. Respondi que ele demorava tempo, que ele já vinha aí.
Na música gostei dos jovens Loto. Podem não ser muito giros, mas a música deles tem muita energia e genica. Os New Order são como que uma imitação deles, só que mais velhos e ainda mais feios. Não gostei muito. Os Black Eyed Peas é que deram o concerto da noite. Passam muito na Kapital e lembro-me de grandes momentos com o Duarte ao som daquilo.
Voltei para casa a meio do Moby. Ouvi dizer que ele tinha um desprezo tanto pelo dinheiro que não consegui aguentar. Foi tão mau que nem consegui aguentar o facto de estar sozinha. Lá estava eu, uma pobre trintona, a caminho dos quarenta anos, sozinha. Tantos e tantos planos para esta idade, para esta década, e nada. Fui para casa comer Häagen-Dazs e ver o DVD da 2ª série do Sexo e a Cidade que comprei pela Internet.
No dia seguinte, ou seja, ontem, acordei cedo, dei uma volta pelo meu Chiado e o ar puro entrou-me pelos pulmões adentro. Decidi, ali e naquele momento, que nunca mais ia sentir pena de mim própria. Sou uma mulher determinada e séria. São só 30 anos, Margarida! Só 30 anos.
Decidi não ir ao terceiro dia do festival. Fui comer uma pizza à Bica do Sapato. Esqueci-me que era domingo e que o Lux estava fechado. Partiu-me o coração. Decidi rumar ao Parque das Nações. Afinal fui. Vi o Marilyn Manson. Não gostei, ele veste-se muito mal e os fãs dele metem-me medo. Voltei para casa, mas antes conheci-o.
O nome dele era Francisco. O Francisco tem 25 anos e já é um executivo de sucesso. Para além disso, é dos rapazes mais bonitos que vi na última semana. Tinha-lhe acontecido exactamente o mesmo que me aconteceu. Comeu uma pizza na Bica do Sapato e percebeu que o Lux estava fechado. Somos almas gémeas. Nem sei como é que não nos encontrámos logo, íamos até partilhando um táxi, mas eu não deixei. Não costumo deixar estranhos à noite partilharem táxis comigo. Foi só daquela vez, mas dessa vez não conta. Não tinha visto a cara dele, aqueles olhos que mexem tanto comigo...
Voltei para casa com o número do Francisco no telemóvel. Um dia destes telefono-lhe e digo-lhe que gostava de me desencontrar com ele uma vez mais na Bica do Sapato. Por agora sou só eu e os meus 30 anos nas minhas águas-furtadas no Chiado. Pela primeira vez na vida, sinto-me bem sozinha, comigo mesma.