quarta-feira, agosto 31, 2005

MANIFESTO

São estes últimos dias de férias, estes últimos cartuchos que se queimam no Algarve, que dão sentido à minha vida. Estava ontem na praia com dois amigos meus que já não via há muito tempo (casaram-se há uns anos e nunca mais voltaram a sair à noite, com sorte, tinha ido dar um mergulho depois duma noite giríssima na Casa do Castelo) e começaram a falar dos filhos deles. Obviamente, só me interessariam as suas filhas e só mesmo se tivessem mais de 18 anos e já tivessem cartão de cliente das melhores discotecas. Mas não, falavam de putos ranhosos de 5 anos e fui-me embora. Afinal, o álcool ainda vivia dentro de mim. Decidi tomar o pequeno-almoço num café óptimo que conheço, um daqueles cafés de esquina, de aldeia, com gente a sério, onde não há música alta mas há algarvios simpáticos. Lá encontrei duas colegas de profissão, duas jornalistas, que iam trabalhar. Ri-me na cara delas e voltei para o hotel. Deitei-me e lembrei-me de criar um manifesto para este novo projecto cujas rédeas tomei há pouco tempo.

O Inimigo Musical compromete-se a mudar. A alargar os seus horizontes, a cobrir mais e mais fenómenos e a não ter preconceitos com aquilo que vende. Julgo que estivémos demasiado tempo a ignorar fenómenos recentes que, apesar de já terem à volta de 30 anos, acho por bem apelidar de "recentes", comprovando a minha incompet...porque são recentes e crio as minhas próprias regras, eu é que mando, como o hip-hop ou os góticos. Vamos mudar o panorama português, aliando as vendas a uma validade artística ou assim. Todas as entrevistas que fizermos falarão apenas de temas superficiais. Julgamos que pesquisar antes de entrevistar é fatal, logo vamos perguntar tudo o que já se sabe sobre os artistas que entrevistamos e que pouparia muito tempo precioso aos mesmos. Trabalho de casa nunca. Cobriremos tudo o que vender, desde o Rod Stewart para as donas-de-casa ao Emanuel para, bem, para todos, passando pelos D'ZRT (um óptimo projecto de nova música nacional que não devemos por nada ignorar, até falam das Non Stop nas suas letras) ou pelo novo (sublime) disco dos Santamaria (que tem passado em várias casas da noite e, como o público do tuning tem aderido, julgo terem qualidade e validade artística). Não deixaremos ninguém de fora, a não ser basicamente toda a gente tentando agradar a todos e perdendo toda a qualidade que temos.

Estava a brincar, quero é que as editoras que paguem um Porsche novo, que o meu já tem um ano e, logo, é velho para caraças.

Vemo-nos na noite, numa dessas casas por aí,
Robinho, o novo editor do Inimigo Musical